Este livro me levou para pensamentos realmente excitantes. Aos 24 anos, Jordan Belfort conheceu a corretora Rotschild, em Wall Street, onde fora admitido para o programa Masters of Universe (nome dado aos profissionais que alcançavam a meta de, em dois anos, conseguir rendimento anual de US$ 250 mil). Belfort, com seu 1,60 metro de altura (ele se identificava com Napoleão Bonaparte e dizia que sua altura era desproporcional à sua audácia), não só bateu essa marca como, em dois anos, estava ganhando a mesma quantia – só que por mês e em sua própria corretora, a Stratton Oakmont. O seu lema era agressivo: “Um corretor não desliga o telefone até que o cliente compre ações ou morra.” Entre os 26 e os 36 anos ele somou uma fortuna de bilhões de dólares, foi ao topo e sofreu uma queda enorme quando o sistema financeiro americano detectou fraudes em sua empresa. Belfort foi preso pelo FBI e condenado a quatro anos de reclusão, dos quais cumpriu 22 meses. Logo, quando digo que este livro me levou para pensamentos realmente excitantes, eu não estou brincando. Quando um “muleque” de 20 anos como eu le este livro, o sentimento de “eu posso tudo” toma conta do ego, os sonhos desafloram, você não tem medo de sonhar, afinal, se você nunca tentar, quem irá tentar por você? A sua mãe que não será!
Pensar que Jordan chegou a ganhar US$ 12 milhões a cada 3 minutos é realmente um absurdo, absolutamente fora do normal. É engraçado pensar que enquanto você pasma na frente do seu computador, pensando naquele dinheiro que vai entrar no final do mês na sua conta, existe uma pessoa fazendo milhares de dólares por minuto. Quantos desses caras existem? Tenho certeza que muitos, porém poucos que temos acesso, como o exemplo de Jordan que conta tudo abertamente neste livro que te leva à depressão e à gargalhadas simultaneamente. De maneira engraçada, Jordan narra sua rotina nas drogas, nos negócios, no sexo e na fortuna gasta diariamente em diferentes maneiras. Porém, o que mais me fez pensar durante a leitura deste livro foi o fato de como pode existir uma pessoa como Jordan? Me divirto com o fato de que em um mundo só podem existir tantas realidades diferentes. Isso fortalece ainda mais a minha visão de que não existe um certo e um errado. Pessoas nascem com um propósito de vida, que talvez para você e para mim seja um absurdo, porém para a pessoa que está vivendo o seu propósito de vida, está tudo sob controle. O que quero dizer com isso, é que creio que Jordan, em seu propósito de vida, foi a pessoa certa na hora certa. Não o julgo, na verdade o admiro, não pelo fato de ter roubado dinheiro, manipulado o mercado acionário e lavado dinheiro na Suiça, mas sim pelo fato de não ter fugido de seu propósito. Ele foi a pessoa perfeita, para a tarefa perfeitamente cabível ao seu perfil. Ele não não se importou em ter que se drogar como um louco diariamente, ele não se importou em ter que infringir diversas leis, ele não se importou em gastar milhares de dólares com drogas, prostitutas, festas e etc . Uma explicação muito fácil de se entender, depois dessa minha viagem psicológica é simples: A vida não teria me colocado na terra com este propósito, pois eu nunca seria capaz de cumprí-lo. Mesmo achando que eu tenho capacidade para fazer muito dinheiro, eu não acredito que nasci para fazer dinheiro manipulando o mercado de ações e enganando grandes entidades reguladoras de mercado. Nasci para cumprir o meu propósito da minha forma.
Logo no começo da carreira de Belfort, ele descreve uma situação que vale lembrar: em um dos seus primeiros dias no trabalho novo, seu chefe lhe convida para almoçar em um restaurante super chique, dominado por yuppies, e durante este almoço o seu chefe lhe oferece bebidas alcólicas e cocaína para cheirar, como se fosse normal, porém era normal, naquele restaurante as pessoas cheiravam e bebiam como se estivessem tomando um gole de coca-cola. Era tudo normal para eles. Belfort recusou tanto a bebida como a cocaína, e achou um absurdo as pessoas estarem se drogando e bebendo em pleno horário de almoço. Nessa época, Jordan mau bebia, quanto menos se drogava. O tempo passou e Belfort encaixou-se perfeitamente neste mesmo esteriótipo o qual ele mesmo ficou absurdado ao ver alguns anos atrás. Quatro anos depois estava ele lá, se acabando em drogas e bebidas. Dentro do meu propósito de vida, quatro anos depois eu não estaria na mesma situação (enfiado em drogas e prostitutas), porém também creio que não estaria fazendo US$ 12 milhões a cada 3 minutos. Não porque não tenho capacidade de fazer US$ 12 milhões a cada 3 minutos, mais pelo fato de não estar encaixado em meu propósito de vida a maneira como esse dinheiro estava sendo gerado. Aí você pode me perguntar, se todos tem seu propósito de vida, porque existem pessoas fracassadas? Eu vou lhe responder que existem pessoas que nasceram com o propósito de ser fracassado. Não, essa pessoa não sabe disso, mais ela nasceu assim e não há o que mude. O mundo não suportaria somente pessoas bem sucedidas. O mundo quer enxergar as diferenças naturais das vidas de diferentes pessoas com diferentes propósitos.
Jordan nasceu para construir o império que construiu da forma que construiu. Não havia nada que mudasse isso. Tinha que ser ele, para cravar sua história da maneira que cravou. Não adiantaria ser eu, nem você. Não que somos piores ou melhores que Jordan, temos apenas propósitos diferentes.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
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